sexta-feira, 2 de março de 2012

Cadê a autocrítica?

Há tempos estou querendo escrever sobre esse assunto e sempre hesito por não me sentir preparado para abordar um tema tão complexo esse. Mas agora chegou a hora e resolvi soltar o verbo.

O que me motivou foram três passagens que vivencie essa semana, vamos a elas.

Um cliente me procurou para desabafar, passou por um processo de separação conturbado e até hoje é perseguido pela ex-mulher obcecada em lhe atormentar. Mas o que  o afligia não era a ex-mulher com seus ataques e sim o fato de não ter um contato saudável com seus filhos desde que iniciou-se o tal processo. Mesmo deixando casa, empresa, imóveis e uma pensão acima da média, a ex-esposa resolveu processá-lo na tentativa de extorquir algo além do devido e para se defender meu cliente foi obrigado a expor uma dor que sempre o incomodou e que nunca havia contado a ninguém; a possibilidade de seus filhos não serem frutos de seu relacionamento com a ex-mulher, uma vez que a mesma o traia.
Durante anos ele guardou essa dúvida em silêncio até que se viu obrigado a colocar as cartas sobre a mesa e aí veio o grande problema, seus filhos cuidados e amados durante toda vida, se revoltaram contra o pai e o abandonaram. No momento de dor e revolta meu cliente resolveu desabafar e disse o seguinte: "Será que eles (os filhos) não conseguem enxergar que foram tão traídos quanto eu? Será que não conseguem perceber que se houve uma traição essa foi da mãe e afeta de forma contundente a vida de todos nós? Será que não sentem que estou tão ferido quanto eles?" e completa: "Eles jamais deixarão de ser meus filhos se ficar provado que não temos laços sanguíneos, serão sempre meus amados filhos, mas aquela que se faz passar por vítima terá de arcar com o peso da sua mentira."
A fala dele não esconde só a decepção com os filhos por (mesmo diante de uma mentira tão absurda) terem colocado ele na berlinda e não a 'possível' causadora de toda essa tormenta.

O segundo caso é algo que li em uma rede social e me deixou perplexo. Uma conhecida, cuja irmã sempre teve o habito de pegar coisas emprestadas e nunca se lembrava de devolve-las, e que um dia acionou juridicamente um ex sócio por se sentir no direito de receber uma gorda indenização que nunca lhe foi devida (claro que não ganhou a ação avaliada em R$ 80.000,00), postou em seu perfil em uma rede social que estava inconformada pelo fato de ter descoberto que foi furtada por uma pessoa conhecida em uma camisa. UMA CAMISA!
Ao ler, e sabendo de todo esse passado dela me perguntei: Que moral essa pessoa tem para julgar um furto se ela mesma foi responsável ou acobertou vários roubos?

O terceiro caso eu presenciei ao vivo. Estava conversando com uma pessoa sobre os absurdos do trânsito, motoristas e pedestres quando o mesmo ofereceu uma carona. Logo no primeiro semáforo aconteceu o seguinte fato: Um senhor aparentando setenta anos e ter passado por um derrame atravessava a rua com sua bengala logo á frente de nosso carro quando o sinal abriu para os carros e como o mesmo caminhava lentamente, meu 'mortorista' resolveu buzinar. Diante dessa atitude resolvi que minha carona não duraria nem mais um quarteirão e desci ali mesmo.

Esses três fatos me deixaram inquieto e não resisti em escrever sobre a autocrítica. Seja no trânsito, no condomínio, na empresa ou em família, a impressão que tenho é que as pessoas não conseguem auto analisar suas atitudes e só enxergam os erros -e defeitos- dos outros. É como se não importasse o que eu fiz ou faço e apenas o que os outros têm feito de errado.

Autocrítica é definido na Wikipedia como o processo de análise crítica de um indivíduo (ou, coletivamente, de uma sociedade ou instituição) sobre seus próprios atos, considerando principalmente os erros que eventualmente tenha cometido e suas perspectivas de correção e aprimoramento.

 Ao agirmos desprendidos da autocrítica não percebemos que as pessoas também tem qualidades e que nós também erramos. A ausência da autocrítica é um desvio moral perigoso para a sociedade pois nos faz perder os valores básicos e importantes para a vida em comum.

Assim como o pai que perdeu o contato com os filhos por ter sido traído pela ex-mulher; da conhecida que gritou nas redes sociais que foi roubada se esquecendo do passado da própria irmã e do fato de ter tentado extorquir um ex-sócio e do motorista que discursa civilidade, mas age como um 'troglodita'; vejo que as pessoas não estão preparadas para uma auto análise e assim o mundo se tornar pior.

Discursar que o mundo está pior e agir para que o pior fique pior é para mim não só uma atitude ridícula mas também uma demonstração clara de falta de caráter. Penso que as ações devem, ao menos, ser cúmplice do discurso, seja lá qual for o seu preferido.
publicidade

Um comentário:

  1. Bacana o texto, gostei.
    Mas está difícil de ler, por causa do fundo.

    ResponderExcluir